Regra Euro 6e-bis 2026: Que Carros Podem e Não Podem Ser Importados

Escape de automóvel visto de trás

A regra Euro 6e-bis mudou o mercado dos carros usados em toda a Europa a partir de 2024, mas o impacto real na importação para Portugal só começou a fazer-se sentir nos últimos meses. Se está a pensar importar um carro em 2026, esta é uma das normas que precisa perceber antes de decidir o modelo.

Este artigo explica sem tecnicismos: o que é Euro 6e-bis, que carros ficam de fora e quais continuam elegíveis para importar em 2026.

Como funcionam as normas Euro

As normas Euro definem os limites máximos de emissões de poluentes (NOx, CO, HC, partículas) para veículos novos vendidos na UE. Cada actualização é mais restritiva:

  • Euro 5 (2011)
  • Euro 6 (2015)
  • Euro 6c (2018) — introduziu ciclo WLTP
  • Euro 6d-Temp (2019)
  • Euro 6d (2021)
  • Euro 6e (2023)
  • Euro 6e-bis (2024-2025) — reduz mais ainda os limites de NOx e partículas
  • Euro 7 (chegará ~2026-2027)

Cada nova norma implica que fabricantes tenham que actualizar hardware e software dos motores. Carros já produzidos com norma anterior podem continuar a ser matriculados até certas datas.

Datas-chave para importadores

  • 1 Setembro 2024: novos modelos homologados na UE têm que cumprir Euro 6e
  • 1 Janeiro 2025: TODOS os modelos vendidos novos (mesmo com homologação anterior) têm que cumprir Euro 6e
  • 1 Setembro 2025: novos modelos homologados têm que cumprir Euro 6e-bis (mais restritiva)
  • 1 Janeiro 2026: TODOS os modelos vendidos novos cumprem Euro 6e-bis

O ponto crítico para importadores é: carros de anos 2018-2024 continuam elegíveis para importação e circulação em Portugal. Não há retroactividade que os torne inválidos.

Que carros são afectados por Euro 6e-bis

Se estiver a comprar carro na Alemanha em 2026:

  • Carros novos (0 km) vendidos na Alemanha em 2026: obrigatoriamente Euro 6e-bis
  • Carros usados pré-2024: Euro 6d-Temp ou Euro 6d — plenamente legais em Portugal, sem restrições
  • Carros usados 2024-2025: Euro 6e — plenamente legais

Norma Euro afecta o preço da importação?

Não directamente o ISV. Mas há efeitos:

  • Carros Euro 6d ou anteriores tendem a ter valores de mercado mais baixos na Alemanha (menos procura)
  • Diesel Euro 6 (não d) já não pode ser matriculado como novo — só usado
  • Alguns concelhos portugueses (Lisboa, Porto) restringem circulação de carros mais antigos em Zonas de Emissões Reduzidas (ZER)

ZER em Portugal em 2026

Lisboa e Porto têm zonas específicas onde só circulam:

  • Carros a gasolina Euro 3 ou superior
  • Diesel Euro 4 ou superior (Lisboa 2016+); Euro 6 ou superior (2026+)
  • Eléctricos, PHEV e híbridos sem restrições

Ou seja, um Euro 6d importado circula sem problemas em qualquer ZER portuguesa em 2026.

Norma Euro 7 no horizonte

A UE aprovou Euro 7 mas as datas exactas de aplicação estão em revisão. Estimativa actual: 2027 para carros ligeiros novos. Isto significa que carros produzidos em 2025-2026 (Euro 6e-bis) serão a última geração comercializada durante alguns anos.

Se planeia importar carro novo ou seminovo (0-3 anos) em 2026, escolha versões já em Euro 6e-bis para manter valor de revenda quando Euro 7 chegar. Diesel Euro 6d pré-2024 já começa a perder valor mais rapidamente.

Perguntas frequentes

Um Euro 6d 2019 pode ainda ser importado em 2026?

Sim, sem restrição. Continua a poder circular em Portugal em 2026 e beyond, incluindo ZER.

Como sei que norma tem um carro?

Vem no COC (Certificado de Conformidade) e no livrete alemão (Fahrzeugbrief) na secção “Emissionsklasse”. Também pode consultar pela data de primeira matrícula usando a tabela de datas-chave acima.

Vale a pena importar carros mais antigos (Euro 5, 4) pelo preço baixo?

Depende. Preço muito baixo é atractivo mas:

  • ISV maior (Tabela D dá menos desconto)
  • Restrições em ZER Lisboa/Porto
  • Valor de revenda em queda acelerada
  • Custo manutenção potencial mais alto

Regra geral: só compensa Euro 6d ou superior para investimento sensato em 2026.

Passos práticos e checklist final

Depois de perceber o essencial, o próximo passo é traduzir a informação em acção concreta. A maioria das pessoas trava na fase de decisão por falta de uma lista clara do que fazer, por que ordem, e o que evitar. Este checklist resume tudo o que foi explicado.

  • Definir o objectivo exacto: modelo, ano, quilómetros, orçamento máximo
  • Pedir orçamento estimado a 2-3 importadores diferentes
  • Comparar com o preço equivalente em stand nacional
  • Verificar disponibilidade de peças e assistência da marca em Portugal
  • Confirmar prazos realistas (5-8 semanas total é normal)
  • Preparar documentação prévia: NIF, morada, comprovativo, dados bancários
  • Reservar orçamento adicional para imprevistos (~5-10% do total)

A verificação prévia poupa dinheiro e tempo. Um importador experiente resolve dúvidas técnicas em minutos que sem apoio consumiriam dias de pesquisa online.

Onde procurar mais informação

Além deste guia, vale a pena consultar fontes oficiais para dados actualizados:

  • Portal das Finanças — informação oficial sobre ISV, IUC, DAV e IVA
  • IMT (Instituto da Mobilidade e Transportes) — regras de matrícula, homologação e inspecção
  • DGEG — dados sobre eficiência energética e emissões
  • ACAP — Associação Automóvel de Portugal, estatísticas de mercado

A EcoImport acompanha regularmente as actualizações destas entidades para manter os processos alinhados com a legislação em vigor. Se tem dúvidas específicas sobre o seu caso, fale connosco antes de avançar. Uma consulta breve pode evitar erros de milhares de euros.

Erros comuns que atrasam ou encarecem o processo

Ao longo dos anos, há padrões repetitivos nos erros que fazem a importação sair mais cara ou demorar semanas a mais do que deveria. Conhecê-los antes de começar poupa tempo e dinheiro real.

  • Preencher documentação com valores estimados em vez de oficiais — a Autoridade Tributária cruza dados com o COC. Divergências geram pedidos de esclarecimento que atrasam 2-3 semanas.
  • Não confirmar o COC antes de comprar o carro — pedidos ao fabricante podem demorar até 30 dias para alguns modelos raros. Sem COC, a matrícula fica parada.
  • Escolher transportador só pelo preço mais baixo — carros danificados em trânsito são recorrentes com empresas sem seguro adequado. Diferença de 200-400€ face ao topo do mercado é insignificante face ao risco.
  • Ignorar a Tabela D do ISV (idade) — carros mais antigos beneficiam de descontos progressivos que reduzem o imposto até 65% face à Tabela A. Este cálculo é feito automaticamente pela AT mas convém validar.
  • Não pedir orçamento fechado ao importador — cotações vagas escondem custos adicionais que aparecem no fim. Preferir sempre proposta escrita com todos os componentes discriminados.

Como acompanhar o mercado ao longo do ano

Os preços na Alemanha oscilam ao longo do ano por razões previsíveis. Compradores atentos conseguem poupanças adicionais de 5-8% simplesmente comprando no período certo.

  • Janeiro e Fevereiro: melhor época — stands alemães querem escoar stock do ano anterior antes das novas matrículas de Março
  • Junho a Agosto: mercado quente, preços 4-6% acima da média anual
  • Setembro e Outubro: nova geração de modelos entra no mercado, versões anteriores baixam
  • Dezembro: stock final do ano, negócios agressivos em modelos com muitos meses no lote

Vale a pena começar a acompanhar preços 2-3 meses antes de decidir importar. Ferramentas como o histórico de preços do Mobile.de ajudam a identificar quando um determinado modelo está abaixo do preço médio dos últimos 6 meses.

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